Existe uma pergunta que ouço com frequência: “por que meu negócio não cresce do mesmo jeito que o de outras pessoas?”
A resposta não é simples — mas parte dela está nos números.
Segundo dados do Banco Central, citados pelo SEBRAE, negócios liderados por mulheres ficam com apenas cerca de 29,4% de todo o crédito concedido a empresas no Brasil. E segundo o estudo de Empreendedorismo Feminino do SEBRAE, com base na PNAD Contínua do IBGE, no último trimestre de 2024 apenas 12,5% das mulheres donas de negócio se tornaram empregadoras — contra 15,2% dos homens. Ou seja, mulheres têm mais dificuldade pra dar o salto de “trabalhar sozinha” pra “ter estrutura, equipe, negócio que cresce sem depender só da própria presença”.
Isso não é falta de competência. É falta de estrutura ao redor.
Menos acesso a crédito. Menos rede de apoio qualificada. Menos espaço pra errar e recomeçar sem que isso quebre o orçamento da casa.
E quando o ambiente já é mais difícil, qualquer decisão errada custa mais caro.
Eu vejo isso constantemente nas minhas orientações: empreendedoras brilhantes, competentes, que travam não porque não sabem o que fazer — mas porque tomam decisão isoladas, sem rede, sem alguém que questione, direcione, ajude a ver o que elas não conseguem ver de dentro do próprio negócio.
Por isso eu sempre digo: empreender sozinha é mais caro do que empreender com direção.
Não dá pra controlar o sistema de crédito do país. Não dá pra mudar, de uma vez, a estrutura que dificulta o crescimento de negócios liderados por mulheres.
Mas dá pra controlar uma coisa: a qualidade da decisão que você toma dentro do cenário que você tem.
É exatamente isso que busco construir nas Orientações e na Comunidade que conduzo: um ambiente em que cada mulher tem, ao seu redor, exatamente o que esses números mostram que falta no mercado — direção, rede e decisão estratégica, em vez de isolamento.
Porque crescer não depende só de crédito disponível. Depende também de ter, ao seu redor, quem ajude a tomar a decisão certa, na hora certa.
E isso, diferente do sistema financeiro, a gente pode construir agora.
Verusca Carósio é orientadora de negócios com mais de 22 anos de experiência em comunicação e marketing, especializada em apoiar pequenas empreendedoras e profissionais liberais.
Fontes dos dados: (1) Banco Central do Brasil — Relatório de Cidadania Financeira, citado pelo SEBRAE; (2) SEBRAE — Relatório Técnico de Empreendedorismo Feminino, com base na PNAD Contínua/IBGE, 4º trimestre de 2024 (estudo anexado ao projeto). Nota: o dado do Banco Central (1) é externo ao estudo anexado ao projeto — vale destacar essa fonte separadamente se a Verusca for citá-la em entrevista ou imprensa.




