Especialista em orientação de negócios explica por que 65% das empreendedoras brasileiras não têm CNPJ — e quando formalizar faz (ou não faz) sentido.
“Preciso abrir MEI pra começar?”
Essa é uma das perguntas que Verusca Carósio mais escuta de mulheres que estão começando a empreender. E a resposta dela sempre surpreende:
“Depende.”
Para a orientadora de negócios com mais de 22 anos de experiência, formalizar não é um passo obrigatório para todas as empreendedoras no mesmo momento. É uma decisão que precisa ser tomada com clareza — não por pressão, não por medo, e definitivamente não porque “todo mundo fala que tem que ter”.
Segundo dados do Sebrae, 65% das mulheres empreendedoras no Brasil não têm CNPJ. Isso representa mais de 6,7 milhões de mulheres à frente de negócios operando na informalidade. E antes de julgar, é preciso entender: nem sempre isso é falta de informação ou desleixo. Muitas vezes, é estratégia.
“Tem cliente minha que está há cinco anos sem CNPJ perdendo contrato atrás de contrato porque não emite nota fiscal. Aí sim, está na hora. Mas também tem cliente que acabou de começar, está testando o modelo de negócio, fatura R$ 800 por mês. Pra que abrir MEI agora? Valida primeiro. Depois formaliza,” explica Verusca.
A questão não é “formalizar ou não formalizar”. É saber quando essa decisão faz sentido estratégico para o seu negócio.
Verusca aponta três sinais claros de que chegou a hora:
1. Você está perdendo clientes por não ter nota fiscal.
Se você já recusou dois, três orçamentos porque a empresa só contrata com CNPJ, é sinal vermelho. Você está deixando dinheiro na mesa.
2. Seu faturamento passou de R$ 2.500/mês de forma consistente.
Não foi um mês bom. Foi três, quatro meses seguidos. Aí você sabe: o negócio validou. Agora é hora de estruturar.
3. Você precisa de crédito ou comprovação de renda.
Sem CNPJ e sem declaração de imposto, você não consegue financiar equipamento, alugar um espaço comercial, nem comprovar renda pra trocar de casa. A informalidade limita.
Mas Verusca também alerta para o outro lado: formalizar antes da hora pode gerar ansiedade desnecessária.
“Já vi empreendedora abrir MEI no primeiro mês, sem ter validado nada, e ficar desesperada porque ‘precisa pagar o boleto’ mas ainda não tem cliente. Aí o MEI vira mais uma conta, mais uma pressão, mais um motivo pra desistir. Não precisa ser assim.”
O caminho, para ela, é sempre o mesmo: clareza.
Formalizar é importante? Sim. Mas só quando fizer sentido estratégico para o momento do seu negócio. E quando chegar essa hora, você precisa entender três coisas:
1. Quanto custa de verdade.
MEI custa menos de R$ 80 por mês e já inclui INSS. Simples Nacional varia, mas tem calculadoras online. Faça a conta. O medo geralmente é maior que o valor real.
2. O que você ganha com isso.
Nota fiscal, acesso a crédito, proteção previdenciária, contratos com empresas, comprovação de renda. Não é só “estar na lei” — é abrir portas.
3. Quando adiar é estratégico.
Se você ainda está testando, se o faturamento oscila muito, se você tem menos de três meses de operação: pode esperar. Não tem problema.
“Eu não obrigo ninguém a formalizar. Eu ajudo cada empreendedora a tomar a decisão certa pra ela, no momento certo. Às vezes é: ‘formalize essa semana, você está perdendo oportunidade’. Outras vezes é: ‘calma, valida mais dois meses, depois a gente formaliza com segurança’. Depende do negócio. Depende da meta. Depende da realidade,” afirma Verusca.
E o mais importante: formalizar não garante sucesso. O que garante é ter clareza, estratégia e execução. Com ou sem CNPJ.
“Se você está travada nessa dúvida há meses, pare. Faça as contas. Veja os prós e contras. E decida. O pior cenário não é estar formal ou informal. É ficar paralisada sem tomar decisão nenhuma,” finaliza.
A informalidade pode ser um estágio. Pode ser uma escolha temporária. Mas não pode ser uma desculpa pra não crescer.
Sobre Verusca Carósio
Com mais de duas décadas de atuação no mercado de comunicação e negócios, Verusca Carósio é orientadora de negócios especializada em apoiar pequenas empreendedoras, profissionais liberais e empresas a organizarem suas rotinas, definirem metas claras e estruturarem estratégias de crescimento sustentáveis.
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E-mail: verusca.carosio@gmail.com
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